Gráfico Resistência-Volume na Pletismografia Corporal – Interpretação Clínica Simplificada

Obrigado pela colaboração de Alessandro Genaro (Bioscan – Brasil) para a tradução em Português

Introdução

A pletismografia corporal permite uma análise do sistema respiratório à respiração corrente com base na determinação da Resistencia especifica das vias aéreas (sRaw) e do volume pulmonar ao final de uma expiração corrente.

A nova ferramenta de ilustrações adicionais com orientação clínica tem sido incorporada para a avaliação dos pacientes na pletismografia com software SentrySuite para Vyntus Body/Diff de Vyaire Medical (CareFusion), que vai ser descrito neste artigo. Em 2013, Hans-Juergen Smith (CareFusion -Alemanha) introduziu esta ferramenta que auxilia e simplifica a interpretação clínica da pletismografia: o gráfico de resistência e volume em sua publicação “R-V graph in whole body plethysmography”

Em sua longa carreira, e entre outras funções, Hans liderou o grupo de trabalho para melhoria e o desenvolvimento do sistema de Oscilometria de Impulse (IOS) e da pletismografia de corpo Jaeger.

Um pouco de história

Hoje, a exibição gráfica dos resultados dos testes de pletismografia corporal é semelhante à originalmente delineada por DuBois e colaboradores há mais de 50 anos.

lslam e Ulmer, em 1977, sugeriram traçar o comportamento da resistência das vias aéreas (Raw) como uma função do volume pulmonar correspondente. Eles descobriram que esse método é reprodutível e informativo. Padrões específicos podem ser detectados dependendo das variações no fluxo e/ ou volume na resistência das vias aéreas, diferenciados durante inspiração e expiração.

Atualmente é possível mostrar a relação entre a resistência das vias aéreas e os volumes pulmonares em referência aos seus valores previstos. Como isso é possível? Usando sinais da pletismografia registada (fluxo, volume e volume de deslocamento) em relação aos volumes pulmonares absolutos (VR CRFplet e CPT), gerando alças instantânea da evolução da resistência das vias aéreas em relação ao volume pulmonar absoluto através da chamada Transformação Resistencia-Volume (transformação RV) por meio do Gráfico Resistência -Volume (figura RV, Figura 1).

É importante notar que o procedimento para obter o gráfico RV não altera a pletismografia convencional já que são representado graficamente com os dados medidos da resistência das vias aéreas em relação aos volumes pulmonares medidos.

Componentes do gráfico de RV

Existe sempre uma relação entre a resistência das vias aéreas e o volume pulmonar. O Raw nunca é constante. Durante a respiração corrente, o calibre das vias respiratórias e, por conseguinte, a sua força é afetada pelo tono do músculo liso e propriedades do recuo elástico, que pode causar o colapso das vias aéreas e aumentos significativos na Raw. Na doença pulmonar obstrutiva crônica {DPOC}, o colapso periférico é maior no nível da CRF; por exemplo, o valor de Raw difere por um máximo entre o final da expiração e o início da inspiração.

O gráfico de R-V (Figura 2) ilustra a relação direta entre a resistência das vias aéreas (Raw) e os volumes pulmonares. Além disso, oferece uma visão da dinâmica da dependência de volume na resistência das vias aéreas durante o curso completo da respiração normal.

Referindo-se à Figura 2 você pode encontrar:

  • À esquerda do gráfico, é mostrada a escala de resistência, na qual é possível indicar o valor medido da resistência efetiva ou total da via aérea (Reff ou Rtot). Para isso, é utilizada uma linha pontilhada horizontal ligada ao eixo Y. A área verde delineia a faixa de valores previstos da resistência das vias aéreas. Nota: Em termos fisiológicos: A resistência do trato respiratório (eixo Y) é específica dos componentes centrais do trato respiratório.
  • A parte inferior resume as capacidades e volumes pulmonares medidos (eixo X) usando um diagrama de barras. Além disso, existe uma barra de valores abaixo prevista que permite referenciar os parâmetros medidos (TLC, IC, FRCpleth, ERV e RV) em relação aos seus valores normais. A importância do parâmetro FRCpleth é destacada por uma linha vertical pontilhada.
  • O círculo oval cinza combina as faixas previstas de Raw e FRCpleth. A circunferência do círculo oval cinza representa os limites inferior e superior da normalidade.
  • O gráfico de barras à direita do gráfico de RV (Figura 2) mostra a variabilidade da resistência medida das vias aéreas durante a respiração corrente. Um grau mais elevado de obstrução é geralmente associado a uma maior variação na resistência das vias aéreas, indicada por um diagrama de barras mais longo. O valor numérico ao lado desta barra descreve a diferença entre a resistência inspiratória média e a resistência expiratória média ao longo da respiração corrente.

Comparação entre um relatório convencional e o gráfico RV em uma avaliação pré-pós

O gráfico de R-V é particularmente informativo para os testes pré e pós-broncodilatador, pois mostra claramente a resposta diferenciada ao broncodilatador na árvore brônquica.

A Figura 3a mostra um gráfico padrão em uma manobra de pletismografia pre- (azul) e pós (vermelho) broncodilatador mostrando as alças respiratórias da resistência específica (sRaw) e curvas de pressão durante a oclusão da FRC. Olhando para o gráfico, é difícil de quantificar a redução da resistência das vias aéreas e dimensionar a mudança que pode ter ocorrido nos volumes de pulmonares em relação aos seus valores previstos.

Este mesmo teste, mas usando o gráfico RV (Figura 3b), indica claramente que:

  • A resistência das vias respiratória (Reff) está dentro do intervalo previsto na medição pós, pois está dentro da faixa normal (verde) da escala de resistência vertical.
  • O FRCpleth é reduzido aproximando-se da faixa normal de FRC (área cinza) na medição posterior.
  • Aumento na capacidade inspiratória pós-broncodilatador (CI).
  • O eixo X do gráfico RV resume os volumes absolutos das medições pré e pós em comparação com os valores previstos (barra cinza). Embora o grau de hiperinsuflação seja reduzido, visível em uma redução do volume residual (VR) e RV / TLC, esses parâmetros ainda estão acima dos valores previstos em comparação com a barra de referência cinza.

O gráfico também mostra claramente que a curva RV (vermelha) deslocou-se para baixo e para a direita em comparação com o teste pré (azul). Devido aos efeitos da broncodilatação, o paciente não apenas se beneficia de uma redução na resistência do trato respiratório, mas também se beneficia de uma diminuição na hiperinsuflação.

A variação de resistência no pós-teste mostrado no lado direito do gráfico diminuiu significativamente.

Conclusão

O gráfico de RV permite um diagnóstico rápido e completo, simplesmente avaliando a posição vertical e horizontal da alça do VD em comparação com as faixas preditas para a resistência das vias aéreas e os volumes pulmonares estáticos. Todo o potencial do gráfico RV torna-se claro quando as medições pré e pós são feitas. Aqui, o gráfico RV mostra explicitamente a complexidade e diversidade da reação brônquica a um broncodilatador.

 

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